Se é apreciador de vinhos, provavelmente já reparou nas siglas IGP e DOP nos rótulos das garrafas. Mas o que significam exatamente? E porque são tão importantes na escolha de um vinho?
Estas designações estão relacionadas com a origem, qualidade e autenticidade do vinho. Funcionam como uma garantia de que o produto respeita regras específicas de produção, ajudando o consumidor a identificar vinhos ligados a um território e a um determinado padrão de qualidade.
O que são Indicações Geográficas (IG)?
As Indicações Geográficas (IG) são utilizadas em praticamente todas as regiões produtoras de vinho do mundo. Aparecem com frequência na rotulagem porque o local onde as uvas são cultivadas - o chamado terroir - influencia diretamente o estilo, o aroma e o sabor do vinho.
Uma IG corresponde a uma área vitivinícola legalmente definida. Estas áreas podem ser:
- Muito extensas, cobrindo regiões inteiras
- Bastante pequenas, limitadas a uma sub-região ou até a uma única vinha
Dentro da União Europeia, as Indicações Geográficas não servem apenas para indicar a origem das uvas.
Cada IG possui um caderno de especificações com regras próprias que podem definir:
- As castas autorizadas
- Os métodos de cultivo da vinha
- As técnicas de vinificação
- Os limites de rendimento por hectare
- O teor alcoólico mínimo
Atualmente, na UE, existem dois grandes tipos de Indicação Geográfica aplicáveis ao vinho:
DOP (Denominação de Origem Protegida) e IGP (Indicação Geográfica Protegida).
O que é DOP (Denominação de Origem Protegida)?
A DOP é a categoria mais exigente e restritiva. Normalmente, cobre áreas geográficas relativamente pequenas e está associada a vinhos com forte identidade regional.
As regras de produção são bastante rigorosas e incluem:
- Castas específicas e tradicionais da região
- Métodos de vinificação definidos
- Limites apertados de produção
- Controlo rigoroso de qualidade
Os vinhos DOP refletem de forma muito fiel o terroir e o saber-fazer local, sendo frequentemente associados a vinhos de maior prestígio e tipicidade.
Exemplos em Portugal incluem: Douro DOC, Dão DOC, Alentejo DOC e Vinho Verde DOC.
O que é IGP (Indicação Geográfica Protegida)?
As IGP abrangem áreas geográficas mais amplas e têm regulamentações menos restritivas quando comparadas com as DOP.
Esta maior flexibilidade permite aos produtores:
- Utilizar um leque mais alargado de castas
- Experimentar diferentes técnicas de vinificação
- Criar estilos de vinho mais variados e inovadores
Por essa razão, os vinhos IGP podem ir desde vinhos de grande volume, destinados ao consumo diário, até vinhos de pequena produção, com identidade própria e excelente qualidade.
Em Portugal, exemplos comuns são: IGP Alentejano, IGP Lisboa, IGP Tejo e IGP Península de Setúbal.
Qual devo escolher: vinho DOP ou IGP?
A escolha entre um vinho DOP ou IGP depende sobretudo do seu gosto pessoal e da ocasião.
Se procura um vinho tradicional, ligado à identidade de uma região, a DOP é uma excelente opção.
Se prefere explorar estilos diferentes, castas menos comuns ou vinhos mais criativos, a IGP pode surpreender positivamente. O mais importante é lembrar que ambas as designações garantem origem e controlo, sendo indicadores úteis, mas não absolutos, de qualidade.